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"Porque há lugares, meu Deus, que têm de ser mantidos.

E é preciso que tudo isto continue,

Quando já não for como agora,

Mas melhor.

É preciso que a vida do campo continue.

E a vinha e o trigo e a ceifa e a vindima."

(Charles Péguy)

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Lendas da nossa terra
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O Penedo da Moira

«Muitas vezes a mãe Natureza, no seu espaço ambiental, surpreende-nos com objectos de rara beleza natural, verdadeiramente espectaculares e admiráveis.

Com efeito, existe em plena serra a pouca distância a norte da aldeia da Relva, freguesia de Monteiras no concelho de Castro Daire, um enorme rochedo de granito (rocha constituída especialmente por quartzo, feldspato e mica) de forma esférica que sobressai acima de uma elevação do terreno, povoado de outros rochedos menores, de forma altaneira dominante e majestosa, visivelmente notado a vários quilómetros de distância em seu redor .

Este grande rochedo é conhecido pelas gentes desta zona serrana pelo nome de o Penedo da Moira. Todavia, não se sabe concretamente como surgiu esta designação. No entanto, dizem as pessoas mais idosas da referida aldeia que, já em criança, ouviam os seus avós falarem do Penedo da Moira duma forma lendária e encantada. Na verdade, a crença popular que ficou na memória destas gentes e que ainda perdura, faz alusão a uma moira encantada a qual, subindo a pequena encosta até ao cimo da elevação do monte, transportara, à cabeça, o referido penedo e o colocara naquele lugar .

Esta lenda ou mito era também contada sobretudo aos pastores quando por ali apascentavam os seus rebanhos, pelas pessoas de mais idade.

De entre as várias histórias relatadas, realça uma em que apresenta a moira pastora e que, quando guardava o seu gado na serra, para além de transportar, não se sabe de onde, à cabeça o dito penedo, levava também uma criança ao colo e ainda ia a fiar lã.

Talvez esta lenda poderá estar relacionada com as moiras da mitologia grega, cuja missão era fiar a meada da vida dos mortais. Estas moiras eram três e correspondiam às Parcas latinas da mitologia romana: Cloto, que , presidia ao nascimento, segurava a roca; Láquésis, que fazia girar o fuso e decidia os destinos; Átropos, que cortava o fio da vida.

 

Também, ainda segundo a lenda, a moira terá deixado a marca do seu grande pé numa fraga quando subia o declive do terreno, possivelmente derivado ao peso que transportava: o Penedo. De facto, existe uma reentrância em forma aproximada de um enorme pé, em plena fraga granítica na encosta voltada ao Sul, próximo do Penedo, que pode ser perfeitamente observada.

Mito ou lenda, a verdade é que estas histórias relativas àquele enorme rochedo granítico, narradas com mais ou menos imaginação, foram passando de pais para filhos, aliadas à Moira Encantada.

Por consequência, o Penedo da Moira tem sido contemplado e admirado por todos quantos o conhecem e admiram, ao longo dos tempos e das gerações, tanto em conversas de ocasião como até, muitas vezes, apontado como termo de comparação para reforço de uma ideia de grandeza.»

Penedo da Moira tem um volume de 542,66 metros cúbicos e um peso de 1.456,182 toneladas.

Estes dados resultaram de medições e cálculos matemáticos feitos com rigor por uma equipa que quis brindar os habitantes (e não só), com estas curiosidades.

 

(Texto de Serafim Esteves, major da Força Aérea)

 

 


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